A morte de Michael Jackson é a prova de que a obra de um artista pode ser maior do que ele próprio. A sua trajetória como músico popular, as controvérsias, as excentricidades, o mito por trás de um homem que viveu o limite do amor e do ódio no mundo da música, encontrou em sua morte a exposição máxima de mídia que um ser humano conseguiu na história. O planeta parou. E relembrou momentos do artista que não tinha barreiras quando criava sua arte para essa nossa pequena aldeia global.
Uma revolução na comunicação. Na quinta-feira a tarde quando soube de sua morte e de como a imprensa na Internet estava notificando o acontecido, corri para frente da Tv e não importou se a seleção brasileira tinha garantido a final da Copa das Confederações [na África do Sul], e nem tão pouco as acusações contra o ex-presidente José Sarney (MA) no senado ou até mesmo o avanço da gripe Suína (H1N1) pelo país, tudo isso ficou em segundo plano com a morte do astro Michael Jackson. E não foi só por aqui, o mundo todo reverberou a notícia e apontou suas armas para descobrir o que afinal aconteceu entre a casa do cantor e o Ronald Reagan UCLA Medical Center.
O Google e o Twitter (22,6% das mensagens feitas no dia foram dedicadas a ele) ficaram fora do ar, o número de usuários na rede mundial de repente subiu 11% com gente querendo informações sobre o estado de saúde de Michael, isso fez com que o Google acreditasse que estivesse acontecendo um ataque cibernético e seu sistema e – numa situação inédita – desligou o provedor.
Da Internet para fora. Em qualquer lugar que se vai, do restaurante ao cinema, do campo de pelada na rua até o grupo de Alcoólicos Anônimos, da igreja metodista até a Casa Branca, o assunto era comentado em qualquer grupo de dois ou mais. Vivemos finalmente na aldeia de Marshall McLuhan.

Imagine se fossemos quantificar ou valorizar o número de mídia espontânea que o nome do Rei do Pop conseguiu em três dias? Bem, se Elvis Presley – morto em 1977 – hoje é uma das celebridades que mais lucram depois da morte, Michael já vence esta estatística horas depois de sua morte. Em números gerais, quatro horas após a confirmação da morte, seus discos atingiram os 15 primeiros lugares em vendas site de músicas Amazon.com. Só o Thriller (1982), voltou ao topo em vendas com a reedição do 25 aniversário do disco – lançado em 2007. Depois dele, os álbuns Off the Wall (79) e Bad (87) também estiveram entre as primeiras posições. Mas não só a carreira solo, ainda hits do seu antigo grupo Jackson Five voltaram ao topo de vendas. Em vida, Michael vendeu 750 milhões de cópias, depois de sua morte, ainda não se tem o número de quanto esse número subiu. E como a pirataria chinesa já está vendendo um DVD Tributo, nunca saberemos os números reais desses dados.
Em entrevista ao Fantástico [Rede Globo], a brasileira que era cozinheira de Michael finaliza – emocionada – o seu discurso desabafando “não aceito o mundo sem Michael Jackson”. Não é exagero se pensarmos que ela não é a única a pensar dessa forma, a prova disso aconteceu desde quinta-feira onde tudo estava em torno de Michael. Quatro dis depois já soube notícias de que 12 pessoas se suicidaram com a morte dele. Enfim, tivemos uma final de semana diferente, não temos mais o homem que era sinônimo de estranheza e idolatria no mundo artístico.
Encerro aqui minhas homenagens ao pequeno Michael. E espantado com a comoção mundial em torno de sua morte.
MICHAEL JACKSON, O REI DO POP! 1958 – 2009













