Os anos 60 foi – sobretudo – uma década potencializada pela explosão do fator artístico da música, do palco, do figurino, da marca e principalmente da sua relação com o público – agora mais alvoroçado depois do surto da beatlemania (1964).
Imagine o que foi preciso para nascer o Glam Rock: na Europa a sub-cultura do Mod (embora tenha-se criado uma discussão contraditória e ferrenha sobre a ligação entre os movimentos, o Mod tem sim relação com o glam de 70’) vivia quase o auge e nos EUA o movimento “anti-guerra” Flower Power era quase unanimidade, a cena musical que juntava esses dois países estava dividida entre o progressivo (inclua acid rock, psicodélico, experimental e o rock sinfônico) e o hippie (adicione o surf, power pop, folk e toda e qualquer balada com dois violões e uma voz por cima das cordas), dois gêneros que sustentavam o mercado e tinham os principais artistas da atualidade a nível de mundo.
Rente a tudo isso a Inglaterra saiu na frete e inconformados com a simplicidade riponga da América e a complexidade do progressivo de casa, um grupo de artistas (precisamente em 1969) começou a explorar elementos cênicos do palco e – sob a influência da música psicodélica – juntaram luzes, efeitos especiais ao vivo e um figurino exageradamente elegante com plataformas, maquiagem, unhas postiças e a androgenia – o tempero do glam e o conceito primário a ser explorado para qualquer bandas iniciante na época. Daí já estava tudo pronto para o Glam tomar a década de 70 de assalto, porém, mesmo com discos com essa temática alcançando importantes posições nas listas de mais vendidos e com o aclamado e pioneiro Ziggy Stardust # engenhoca de David Bowie # o Glam só ganhou gosto popular e conseqüentemente o Mainstrean em 1971, com a música “Ride a White Swan” do T.Rex, que atingiu as rádios e abriu o mercado para bandas do segmento que permeavam o under metropolitano londrino.
O auter-ego de Bowie: o espacial Ziggy Stardust
Atingindo o país inteiro pelo rádio, a nova onda imediatamente chamou a atenção das gravadoras e o mercado da Grã Betanha passa a considerar a purpurina no palco como a nova tendência para a década que estava começando, porém, mesmo com todo o investimento o Glam foi pego de surpresa pela sua própria vertente, que surgiria logo depois da explosão do gênero: Quando o glam já estava no nível de fechar casas de shows lotadas foi a hora de levantar uma galera que queria continuar com o progressivo de qualquer jeito, mas também gostava do conceito e estética do glam, então o jeito foi juntar novamente os dois – misturar – e adicionar uma coisinha a mais, no caso, o peso e a guitarra ainda mais e mais distorcida – por isso e em função dessa trêta toda – no começo da década de 70 o mundo conheceu o Heavy Metal e o Hard Rock, daí não teve mais jeito.
Claro que o Glam não morreu no meio de setenta e permace até hoje através de inumeras vertentes e releituras e sobrevive até hoje porque assim que deixou de ser Hype no seu país de origem, correu para os países de terceiro mundo e lá se solidificou. Temos um grande exemplo aqui no Brasil com a banda Secos & Molhados, que mesmo tendo nascido em 1971 partiu para o progressivo/glam por volta de 1973 e daí se tornou com é conhecido atualmente.
No Brasil a coisa tomou forma com Edy Star e Secos e Molhados (foto)
Nas duas décadas seguintes a coisa foi tomando outras formas e porque não podemos considerar o punk # que já chegou logo depois no final de 70 # como uma elovução do Glam? E toda aquela loucura do kiss com plataformas e máscaras pitandas no rosto, os modelos de butique do New Yoks Dolls, o Tecno-Pop do Roxy Music, o Brit-Pop do Suede, a exuberância de Freddie Mercury no Queen e o deboche do The Darkness, tudo isso não seriam outras vertentes somados a influências da época?
A América entra na dança: As botinadas do The New York Dolls
Linha do Tempo:
# Veja um documantério inglês sobre o Glam Rock feito por alunos da Glascow Metropolitan College com entrevistas exclusivas com grandes nomes do Glam de 70 – Divirta-se.
PARTE I
PARTE II










