Em 1988 muita coisa acontecia lá em Chapadinha # numa dessas # poucos podiam entrar na Dark Side, a boite mais luxuosa da cidade [imagine carpetes forrando o teto, parede e piso]. Tanto luxo era refletido no valor do acesso = R$ 35 em dias de hoje = devia valer a pena! Dentre os donos estava um tio meu, Ormanne, até então com 15 anos e recente descobridor da viagem rock ‘n’ roll. O outro – Anaximandro – era o lúdico incompreendido, reprovado três vezes na sétima série e o principal pesquisador da música mais estranha que ninguém na cidade jamais ouviria. Nessa época eu estava com três anos de idade, por isso, tudo o que era movimentado lá em casa eu entrava no meio. E eu era apaixonado por tudo aquilo. Desse tempo existem duas poucas coisas das quais me lembro mais: as caixas de som grandes de cor preta e lilás que eram propriedades da Dark Side e “como não poderia esquecer” as mirabolantes pichações de divulgação das festas nos muros e postes – tudo era uma brincadeira. pensando hoje.
breath - segunda música do The Dark Side of The Moon, 1973
Dez anos após estava andando pela rua e um cara puxa a argola da minha camiseta e pergunta: você é o sobrinho do Ormanne? Sim – digo com cara de quem quer uma resposta. Eu te conheço, ele dá a resposta. Era o Anaximandro, comumente chamado de Manin. Tempos depois – ainda sem conhecê-lo – me chama na rua e entrega uma fita K7 do Pink Floyd, o disco The Dark Side of The Moon na íntegra. Não entendi a piada mas peguei o K7, cheguei em casa e escutei. Não sei se ele sabia disso mas cada riff daquelas músicas que ouvia pela primeira vez eram absurdamente familiares. Era o disco que “nós” mais ouvíamos no tempo da boite. Isso eu soube logo depois quando o Floyd começou a fazer parte da minha vida e viagem musical. Sempre tive a sensação de que com esse ato ele demonstrasse querer que fôssemos amigos novamente.







