A sanfona de Tonny Cajazeiras ( + discografia)

Tonny Cajazeiras é cantor, compositor e multi-instrumentista maranhense. Apresenta em sua discografia vertentes da música nordestina como seresta, forró, baião, xote, bolero, reggae ludovicense e o arrocha, é considerado o precursor do ritmo brega na região do Baixo Parnaíba, nordeste do estado. Nasceu Antonio Alves de Oliveira em 3 de maio de 1949 no povoado de Mucuím, distrito da cidade de Chapadinha, a 274 Km de São Luis, capital do Maranhão. Filho de trabalhadores rurais, é cantador e sanfoneiro por profissão, nunca aprendeu a ler ou escrever, tem quatro discos e mais de 50 composições gravadas por outros artistas. Têm 10 filhos e “mais de cem composições na cabeça ainda não gravadas”.

De forma autodidata, aos 11 anos iniciou sua carreira musical primeiro como pandeirista, logo depois se dedicando exclusivamente a sanfona, seu principal instrumento há 50 anos. “Desde menino eu ia pras festas aqui na região e ficava a noite inteira sem tirar o olho dos tocadores, com a maior vontade de mexer nos instrumentos. Os dedos ficavam coçando, mas não dizia nada pra ninguém dessa vontade louca”. As mulheres são um tema recorrente nas composições de Cajazeiras, sempre com bom humor – característica da música brega de hoje – as muitas histórias de amor faz jus a sua fama de galanteador. Para ele, cada uma dessas histórias são verdadeiras lições de vida.

“Quatro Paredes”, música inédita. Participação de “manelin” do forró, seu irmão

Tendo como sua principal influência o sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989), Tonny queria – assim como seu ídolo – falar da vida do povo nos povoados do nordeste, dos pés de cajá, de carambola, das muriçocas (pernilongos) e da leitôa assada – Essa foi a principal característica de suas obras. Numa festa próximo ao seu povoado, sua carreira como músico e “cantor do povo” começou. “Até que um dia veio um trio de forró tocar aqui no povoado e chegaram sem um pandeirista. Eu nunca tinha “triscado” o dedo num pandeiro, mas disse que sabia tocar. O sanfoneiro começou a desenrolar a música e eu peguei o jeito do instrumento e comecei a bater em cima da música, ele gostou e naquele dia eu toquei a noite inteira com o grupo”.

O que chama a atenção nas músicas de Cajazeiras é o seu potencial de criar um “hit”. Lembro-me quando criança, suas músicas representavam o estilo musical vindo de Chapadinha para todo o estado. Dentro da cidade, era uma verdadeira febre, um orgulho municipal. “Enquanto eu tocava o pandeiro ficava mesmo era de olho na sanfona, dizendo comigo mesmo que se eu pegasse o instrumento eu ia tocar pra valer. No outro dia minha mão estava toda inchada, aí comecei a “aperrear” minha mãe dizendo que queria ser tocador, minha mãe não acreditou mas me disse que ia falar com meu pai. E todo dia eu não parava de falar da sanfona”.

Alguns meses depois – de tanto pensar na sanfona – finalmente o instrumento veio até ele. Ainda estamos em 1960 e Cajazeiras tem 11 anos. “Chegou um senhor em casa com uma sanfona e pediu para meu irmão cuidar do instrumento. Eu pedi pro meu irmão para tocar e ele na deixou, eu fiquei lá brigando, brigando, pedindo pra tocar, pedindo, pedindo, só pra ver como era, falei tanto que ele deixou eu colocar a sanfona no corpo. Quando coloquei os dedos já foram certinho, já toquei uma música assim de primeira e todo mundo ficou besta lá em casa. O dono da sanfona ouviu a zoada de longe e veio correndo ver quem tava tocando. Ele se espantou quando me viu e disse que já estava há três anos treinando e não tinha aprendido e eu que nunca tinha pegado no instrumento já sabia mexer em tudo”.

    versão na sanfona de “Cadeira de Bar”, clássico do primeiro disco.

Mesmo trabalhando na lavoura, assim como seus irmãos, daquele dia em diante Tonny só pensava na sanfona. Alguns dias depois, sua mãe conseguiu convencer seu marido, pai de Cajazeiras, a comprar o instrumento. “Meu pai dizia que não queria saber de cantor em casa e que era a enxada que tava me esperando. Um dia minha mãe mandou eu ir no comercio do Dean Amorin, lá na cidade, em Chapadinha, buscar uma mercadoria, mas não disse o que era. Eu fui e quando cheguei lá era uma sanfona de 80 baixos. Eu quase morri de alegria. Eu vim na bicicleta sorrindo com os paus das cercas, morto de feliz. Cheguei em casa e não queria almoçar, nem brincar nem nada, só fiquei mexendo na “sanfonôna”.

Finalmente o jovem músico tinha seu próprio instrumento, dali em diante, não demoraria muito para fazer seu primeiro show. E não demorou muito mesmo. “No outro dia eu já sabia várias músicas. Ai no outro dia eu comecei a costurar uma roupa pra mim, do jeito que eu tinha aprendido com minha mãe: eu fiz minha primeira roupa de show. Dois dias depois meu pai me levou num povoado vizinho ao nosso – chamado Santa Fé – e eu toquei a noite todinha numa festa e foi a maior alegria do povo lá, todo mundo gostou e meu pai ganhou um trocado e deixou eu tocar na noite dali em diante. Eu nem queria saber de dinheiro, só pensava em ficar acordado de noite, tocando, fazendo a alegria do pessoal”.

Mesmo tocando a vida toda, Tonny Cajazeiras ganhou fama primeiro como compositor na região, fez muitos shows ao longo de sua vida, mas só entrou no estúdio pela primeira vez aos 50 anos. “Quando fui gravar o primeiro disco, isso já em 1999, quem me ajudou foi o empresário e cantor Arão Pinheiro (dono da loja Pinheiro Móveis). Como eu já tinha feito umas músicas pra ele gravar como cantor, não tinha pedido nada em troca das músicas, só pedi uma força quando fosse gravar minhas próprias músicas. Conversei com ele e fomos eu, ele e a sua esposa, Dona Cissa, para Belém/PA, num estúdio de um amigo do Arão. As gravações iam durar um mês, mas foi todo feito em dois dias e meio”.

Músico nato e sem nenhuma habilidade com partituras ou até mesmo com a escrita, já que é analfabeto, Cajazeiras conta como começou a gravar. Método esse que ele usa até hoje. “Quando fui gravar o produtor me pediu as músicas anotadas, eu só apontei pra cabeça dizendo que tava tudo na minha cabeça, ele achou que eu era um louco e não queria gravar. Aí eu disse pra ele botar um E (Mi maior) no teclado, ele botou e eu já “arrochei” a primeira música, que foi a canção “A Gigana Falou”. Quando acabou ele ficou espantando, aí pedi outro tom e já fomos gravando tudo, eu ia dizendo na boca como era os solos da introdução e as músicas foram surgindo. No final ele disse que eu era um fenômeno”.

    Cajazeiras explica como compôs “Pé de Cajazeira”

Entrevista concedida no dia 14 de Outubro de 2010 em sua casa, na Cidade Nova, povoado que fica a 10km de Chapadinha, a nordeste do Maranhão.

Discografia (clique para fazer o download)
1999 – Tonny Cajazeiras (gravado em Belém, Pará)
2001 – Reggae Chap (gravado no Rio de Janeiro)
2006 – Fôrma de fazer Gente
2010 – Tonny Cajazeiras e sua Sanfona

Nota do jornalista:

A primeira vez que ouvi falar de Tonny Cajazeiras foi em 1999, no lançamento do seu primeiro disco. Eu, ainda adolescente, vi a fama desse cabôco sair da cidade e atingir todo o estado. O seu potencial de criar canções populares era impressionante e rapidamente suas músicas correram toda a cidade e caiu na boca do povo. Após o sucesso do seu primeiro disco, Cajazeiras se tornou um artista muito visado na região, o que lhe rendeu o convite de um produtor para gravar e “tentar a sorte” na cidade do Rio de Janeiro, onde gravou seu segundo disco, Reggae Chap. Porém, o compositor não se habitou a cidade e, como conta em sua música “Caboclo índio”, do disco Tonny Cajazeiras e Sua Sanfona, “chorei de saudade, lembrando das minhas amizades, meus amigos meu torrão, voltei porque aqui já conhecem o meu rojão”.

De volta, continua sua peregrinação por aquilo que ele mais gosta: tocar pelas centenas de povoados que existem entre Chapadinha e Mata Roma. Nos vai-e-vem da vida, ele grava o terceiro disco, o Fôrma de Fazer Gente, outro grande sucesso em todo o estado. Nesta época Cajazeiras ganha o apelido de “O Índio do Brega” e começa a produzir músicas mais dançantes. Uma peculiaridade neste disco é que em todas as músicas há uma introdução de um locutor, que apresenta o tema central da música ou que complementa a letra que virá a seguir. Algo característico do reggae maranhense e da música brega nordestina.

O quarto disco é o melhor, em minha opinião. Nele, todas as melodias são baseadas na sanfona e apresentam maior maturidade musical e melhores condições técnicas de gravação, incluindo músicas instrumentais, até então inédito em sua discografia. Quatro músicas foram incluídas as pressas neste disco. Isso porque a prefeita da cidade de Mata Roma, Carmen Neto, prometeu que se Cajazeiras colocasse quatro músicas de quadrilha (São João) o governo municipal daquela cidade bancaria o disco todo. Com sua habilidade de repentista, o músico criou as quatro músicas num só dia e já se pôs a gravar.

Primeiro consegui o número de uma vizinha dele, que me colocou para falar com ele. Saindo dos limites de Chapadinha, eu não sabia exatamente onde encontrar sua casa. A única referência que tinha era seguir a estrada de chão durante 10km. Avistei o povoado de Cidade Nova e comecei a perguntar por Cajazeiras, é claro que todo mundo sabia onde o sanfoneiro morava. Cheguei lá e ficamos uma tarde na calçada. Ele logo identificou pessoas da minha família que conhecia, isso facilitou o encontro. E daí começamos a gravar. A sua musicalidade é o que mais me impressionou. Afinal, são 49 anos em cima do palco, criando músicas, testando melodias. Nas gravações que fiz naquela tarde, ele queria mesmo era mostrar músicas inéditas, devido a sua ânsia de mostrar coisas novas. Por insistência minha, gravamos duas músicas do primeiro disco – o clássico. Pra mim,foi uma honra gravá-las.

    “Seca no Maranhão” é uma canção inédita, feita sob encomenda

Obra de Leandro Carvalho agora disponível para download

Se falarmos do cenário da música erudita no Brasil, a Orquestra do Estado de Mato Grosso é modelo em gestão e projetos de acessibilidade cultural. Para citar algumas das ideias desenvolvidas por lá, incluo o projeto Concertos Didáticos nas escolas da rede pública. Para o aluno que se interessar, tem o projeto Ciranda, que dá o instrumento e o passe de ônibus para o futuro aprendiz aprender música clássica e se formar no instrumento. E ainda tem os Concertos Populares, que leva toda a estrutura de um concerto para bairros periféricos da capital, pelo interior do Estado e também fora dele, dentre outras ações durante o ano que fazem desta Orquestra um dos produtos culturais mais rentáveis do Estado.

Deixando o sucesso de gestão da OEMT de lado, coisas importantes acontecem no campo musical. Só para destacar o ano de 2010, a orquestra passou por oito cidades do interior tocando em praças públicas com toda a estrutura de um concerto. Também lançou dois discos, que se junta ao DVD lançado em 2009. Estreou seu repertório sinfônico e iniciou uma nova fase do grupo. No aniversário da cidade apresentou uma peça do alemão Ernst Mahle, sendo esse o primeiro concertino para viola de cocho e orquestra feito na história do instrumento, com a participação ilustre do violeiro Roberto Corrêa. Além disso, recebeu convidados de grande prestígio como o violinista italiano Emmanuele Baldini e o violonista Turíbio Santos. Por isso, e pelo trabalho desenvolvido nestes cinco anos de estrada, o maestro e diretor artístico Leandro Carvalho se tornou um dos dez nomes mais importantes da música erudita no Brasil dos últimos dez anos, segundo o anuário Viva Música 2008, o veículo que é referência no segmento.

com Baden Powell, gravando o disco João Pernambuco e o Sertão, em 1999

A história deste maestro começou ainda na adolescência quando começou a estudar o violão. Virtuoso e atento ao DNA do folclore brasileiro, sua carreira foi pautada na pesquisa e na interpretação de importantes nomes da musicalidade nacional, alguns deles já esquecidos. Gravou dois discos sobre o violonista carioca João Pernambuco (1883-1947), deu cor a música de João Pacífico (1909-1998) e trouxe músicas inéditas de um dos músicos mais importantes do violão brasileiro, o cuiabano Levino Conceição (1895-1955). Além disso aos 17 anos gravou o disco João Pernambuco e o Sertão, com Baden Powell e o logo em seguida participou do disco O Guaraní de Turíbio Santos. Seus discos são de grande importância não só para o desenvolvimento do violão no país, como também para pesquisadores musicais.

Leandro com João Pacífico

Porém, o violão não foi o bastante e após terminar o mestrado sobre o folclore no estado do Pernambuco, Leandro decidiu ir para Holanda e tornar realidade um antigo sonho: Se tornar um Maestro. Em sua estadia por Londres (já estudando como regente) gravou o disco London Poem, só com músicas brasileiras dedicadas a cidade da rainha. No repertório, vêmos Heitor Villa Lobos, Caetano Veloso e Tom Jobim. De lá o jovem músico voltou para Cuiabá e se dedicou a regência, deixando o violão de lado. Seus discos – ainda em catálogo no exterior – estão sem distribuição no Brasil e por isso, com uma certa dificuldade para encontrá-los em lojas ou sites especializados. Pelo menos até agora.

Baixe os discos
Resgatei estes discos e agora, em primeira mão, estão disponíveis para download, inclusive com encarte. Bom proveito.

João Pernambuco, o poeta do violão (1999)

Baixe Aqui o disco João Pernambuco, o poeta do violão

Baden Powell – João Pernambuco e o Sertão (2000)

Baixe Aqui o disco Baden Powell – João Pernambuco e o Sertão

Descobrindo João Pernambuco (2000)

Baixe Aqui o disco Descobrindo João Pernambuco

Turíbio Santos – O Guarani (2000)

Baixe Aqui o disco Turíbio Santos – O Guarani

Leandro Carvalho e o Brasil de João Pacifico (2002)

Baixe Aqui o disco Leandro Carvalho e o Brasil de João Pacifico

Cromo (2003)

Baixe Aqui o disco Cromo

London Poem (2004)

Baixe Aqui o disco London Poem

Segue matéria publicada dia 15 de setembro no jornal Folha do Estado

40 mil acessos

Olá pessoal, chegamos a 40 mil acessos. A idéia do blog sempre foi dar ênfase à pesquisa musical numa linguagem acessivel e mais direta, preenchendo uma lacuna de veículos existentes do gênero. Dedicado à jornalistas, músicos e para quem trabalha “no meio”, a idéia deste espaço é a possibilidade de experimentar pautas, utilizar tendências, criar sessões e formas de linguagem diferente do habitual – pelo menos era o que pretendia. Nesse período, do baião à música pop, da gospel atè os afrosambas, dos motetos atè os mais rasgados lambadões, muita gente entrou na onda. E está só começando, amigo. vamos lá?

Estou resenhando as apresentações da Orquestra do Estado de Mato grosso, vejam aí:

(MARÇO)http://www.orquestra.mt.gov.br/omcj/bra/conteudo.php?id=64&idCnt=199

(MAIO)http://www.orquestra.mt.gov.br/omcj/bra/conteudo.php?id=64&idCnt=209

Moveis Coloniais de Acaju @ Casa Fora do Eixo

Há tempos os grupos musicais caminham para a fragmentação de influências. A batida, as escalas, texturas e rimas se misturam para ser um só, do Maxixe ao Rock, numa mesma linha harmônica. Desde artifício, poucos o atingem tão claramente como os Móveis Coloniais de Acaju. O diferencial é a disposição da banda em ser naturalmente popular por excelência. Junta-se essa mirabolante identidade com um show elétrico, nove pessoas que se encaixam em qualquer palco e não seria exagero dizer que os brasilienses nasceram paras as massas. Assim como o Macaco Bong é o estopim conceitual desta nova música brasileira que se formou, Os Móveis pintados de Acaju são os canhões prontos para deflagrar o movimento.

A diferença se distingue não só pela estética sonora, mas você alguma vez imaginou que seria possível em 2010 uma banda de nove integrantes rodando em turnê como se fosse uma big band da época do Swing, na década de 30? Quem poderia imaginar, em tempos de logística fácil e barata, alguém em sã consciência chamando mais oito amigos para montar uma banda “skazóona”? É isso mesmo, a multiplicidade musical que acompanhou o miscigenado Brasil desde o início volta com tudo, e um pouco mais.

Atipicamente a Casa Fora do Eixo abriu no domingo, esse era o primeiro desafio. 300 pessoas são o ideal para a lotação da casa, esse era o segundo. Não foi nem preciso esperar muito para esses dois “problemas” deixassem de existir. O calor? Ah, quem já não se acostumou morando em Cuiabá?

Maria Albina abriu a noite. Uma banda novíssima, cheia de espinhas na cara, crua, mas com uma energia jovial que juntou semelhantes na idade para frente do palco, até os covers – Kaiser Chiefs, The Killers, Forgotten Boys – foram bem tocados. Seriam um presságio do que a noite reservaria. Da ultima vez que escrevi sobre o Paulo Monarco, cantor e violonista que se apresentou logo em seguida, falei sobre a áurea do artista em cativar o público. Tempo e domínio de palco e, sobretudo, ao seu fator artístico crescente. O desenvolvimento dele é perceptível pelo controle do nervosismo, porque afinal não existe palco sem frio na barriga, se existir, pode mudar de profissão. Monarco está re-criando seu personagem, sua roupa e postura estão mudando no palco. O show passou longe de ser chato e como a casa estava bem mais que a lotação suportava, aqueles que ficaram na frente para “segurar lugar” no show do Móveis tiveram uma boa surpresa. O disco do Monarco sai daqui a dois meses, anotem ai.

To falando sério: a Casa Fora do Eixo estava muito cheia. E o alvoroço começou quando a banda começou a se aprontar em direção ao palco. Demorou para acertar tudo e várias brincadeirinhas para entreter o público ocorreram, pode não parecer mas essas “tecniquinhas” fazem toda a diferença. A festa começou! A correria no palco se montou, o sorriso se abriu e desde o primeiro momento a banda já tomou o público pela mão e imagine só: ninguém comentava o calor, pelo contrário, quero achar alguém que não pulou e suou no compasso dos instrumentos de sopro. Imagino que boa parte de todo esse povo ainda se lembra daquela imensa roda ao som de “Copacabana” ás 4h30 da madrugada no segundo dia do Festival Calango 2007. Nesses três anos sem aparecer por aqui, lançaram o segundo disco que mesmo não tão energético quanto o primeiro, tem um “quê” de evolução estética, foi bem aceito pela crítica especializada e pelo público.

Mas nada disso explica o fenômeno que é o Moveis na efervescência de um show. Tudo é possível quando o sangue sobe pra cabeça e o publico fica receptível, reconhece o timbre vocal. André Gonzáles, aliás, tem um timbre incrível e mesmo pulando sem parar – cheio de sorrisos – mantém a voz uniforme e constante, e não pense que é preciso pouca técnica para chegar nesse patamar. O som é bem construído e os naipes se completam, nenhum instrumento cobre o outro, e tudo se transforma em explosão, ufa! Lembra daquela roda em 2007 que comentei, é claro que se repetiria: A galera abriu espaço para “Copacabana” começar a tocar, se tinha alguém que não havia se divertido ali essa era a hora.

“Vocês tem sorte de ter essa banda como essa em casa”, disse André sobre o Macaco Bong, que entrou para tocar. A galera aplaudiu como se fosse um filho subindo no palco, e na verdade era mesmo. Juntos, eles fazem parte do time que levantam esse pragmatismo artístico de banda/empresa, que trabalham a música como resultado, dentro e fora dos palcos no Auditório do Ibirapuera. No mesmo tablado, mostraram parte do projeto que resultou na gravação do DVD dos Macacos. Este registro será lançado no segundo semestre. Entre os vários convidados o pianista Vitor Araújo e o Hurtmold ajudaram a “desconstruir a música dos Bongs. Esse formato ainda não chegou em Cuiabá e essa prévia só serve para avisar que possivelmente na edição do Calango desde ano teremos o tão falado projeto. A torcida é grande. Ninguém foi embora antes de acabar e a segunda-feira começou boa.

Um site para Hermeto Pascoal


Pode até soar estranho, mas um dos pilares da nossa música – com mais de sessenta anos de atividade e presença ativa na história da música nacional – não tem um site da “qualidade” de sua obra. Melhor dizer que não é tão estranho assim, à exemplo, o Egberto Gismonti, com uma discografia de 53 discos e um certo patamar internacional, não tem site. Um site é o próprio artista globalizado, é a sua casa, seu espaço para visitas, é o contato dos fãs com a sua música e seu mundo. Por isso, não pode ser feito de qualquer jeito, e deve seguir o mesmo conceito, temática e sensação que o artista proporciona.

Mas não temos isso no site de Hermeto Pascoal. O layout, que em tese é o mais importante, não tem atratividade estética, pelo contrário, é pouco chamativo e a disposição das cores é confusa. Não tem boas fotos e não oferece – tanto para jornalistas como para o público – uma noção direta do que foi a vida deste músico alagoano. Para se ter uma idéia, no site do Tom Jobim – hospedado nos domínios da Uol – o fundo (ou background) tem uma cor bege que se relaciona com toda a áurea da Bossa Nova, isso é conceito. A Ivete Sangalo muda com freqüência todo o tema do site, sempre com novidades e de fácil manuseio, seguindo os princípios da intuição. Eu me proponho construir um site para o Hermeto.

O site é só o início. Várias outras possibilidades são possíveis no campo da internet. E eu não estou falando somente de envergadura digital, mídias sociais e etc. Estou falando de divulgação de uma carreira artística que está em pleno funcionamento e exercício criativo. Pascoal ainda viaja o Brasil e o mundo tocando, regrava com outros artistas e ainda é regravado por uma centena de músicos espalhados pelo mundo, ainda mais depois de ter – em carta oficial – entregue toda sua discografia para quem quiser copiar, regravar, rearranjar… Veja bem, até mesmo isso poderia – tomando por base o marketing – ser uma fonte inesgotável de notícias, porém raramente chega ao público em plena geração da internet.

Um site como o dele tinha que ter, no mínimo, a discografia completa para streaming. Ou seja, quem quiser escutar a qualquer hora tá liberado, só não baixar. Ou então, já que o músico liberou tudo, disponibiliza os discos para download e cria uma política de banco de dados entre os usuários, construindo assim um fórum dentro do site só para fãs, isso manteria viva a “casa” do Hermeto na internet. Que tal um concurso mundial de mashups só com músicas do Hermato, hein? Além disso, teríamos divulgação grátis para boa parte dos discos de Hermeto, imagine a mídia espontânea? O fato de disponibilizar gratuitamente não é problema, afinal, é muito fácil achar um torrent com toda a discografia de Hermeto na net. E alem do mais vários discos dele não estão mais em catálogo e a internet é o único local disponível para a audição completa destas obras. Acho que nem em sebo encontramos mais discos como o Slaves Mass ou Cérebro Magnético, para tomar com exemplo.

Enfim, as possibilidades são muitas e não escrevo para apontar erros, mas para reivindicar uma a valorização de um patrimônio nosso, dos brasileiros. Hermeto não é só conhecido mundialmente por seu virtuosismo no palco, mas é um dos ícones da World Music e da música experimental. Um site preparado teria efeito na popularização de sua música em nosso país e, sobretudo nessa nova geração de estudantes da música. Um site totalmente reformulado, de fácil compreensão a manuseio, seria resgatar uma musicalidade ímpar da música brasileira e ainda incentivar outras iniciativas de músicos esquecidos de um dos países mais musicais do mundo, o nosso Brasil.

Olha o site ai http://www.hermetopascoal.com.br

Madeleine Peyroux encanta Billie Holiday


Nova York, 1959, aos 44 anos, morria Billie Holiday, até hoje uma das peças fundamentais do jazz americano no quesito “profundidade da emoção”, se é que realmente essa expressão explique alguma coisa. Digo esse profundidade de expressão entre aspas porque a receita do bolo é a seguinte: pegue um timbre único e junte à uma imersão total no sentimentalismo de uma canção, uma receita que Billie não fez de maneira fácil em seus 24 anos de carreira como cantora. Aos dez anos foi violentada por um vizinho, aos 14 se prostituiu para ajudar a mãe em casa e, depois de uma vida cheia de turbulência, morreu de overdose de heroína, pobre e numa luta interminável contra o alcoolismo. Uma história como essas coloca o nome de Holiday num lugar confortável no Olimpo das cantoras que transmitiam a paixão, o amor e a vida em cima do palco – sem querer exagerar.

Não quero comparar, porque comparar é um argumento muito fraco. Mas 15 anos após a morte de Billie, na cidade universitária de Athens – Geórgia – nascia Madeleine Peyroux, que não tem qualquer semelhança com Holiday se não o mesmo timbre vocal e sensibilidade. É inacreditável se você comparar. Mas não vá achando que ser uma simples cópia é o único talento de Madeleine, que tem uma discografia rica que se dissocia e voa muito além do estilo da negra Billie Holiday. Madeleine disse para Jô Soares: “Admito que o tom de voz dela tem um aspecto que acabei de integrar ao meu modo de cantar porque ouvi as gravações dela por muitos anos”

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