Arquivo para outubro \27\UTC 2008

A corrida do final dos anos noventa

Em 1995 o mercado fonográfico parou. As grandes gravadoras ainda se recuperavam da sorte das duas pequenas gravadoras, Sub Pop e da recém comprada pela MCA Geffen Records, de ter conseguido explodir dois ícones de vendas mundial, o Nirvana e o Guns and Roses, respectivamente. Porém a coisa mudou completamente, o líder do Nirvana # e símbolo da banda # tinha morrido e o Guns (de tantas brigas) não conseguia fazer nem um show direito. O mundo ficou sem identidade, “quem seria o novo ídolo?” diziam os críticos. Nessa história toda adivinha quem inventou as melhores táticas e os esquemas mais eficázes?

A Sony BMG! porque?

Lançou a Shakira – Artista latina que vendeu mais de 8 milhões de cópias sómente com o disco ?Donde Están Los Ladrones?, de 1998.


Christina Aguilera, que em 1999 lançou o primeiro álbum de estudio e vendeu 21 milhões.


E ainda inventou os Backstreet Boys, West Life e N’Sinc, quer mais?

Salvem o Corinthians

Claro que não poderia deixar de falar do Corinthians. Mas não pelo fato de ter subido para a primeira divisão, e sim por ter colocado a música no estádio, será uma nova onda entre os clubes?  “O Portão”, do disco Roberto Carlos, de 1974. Será que o negócio péga assim como pegou nos E.U.A?

The Blue Man Group

Esses é um dos vídeos que você acha na internet e nem se lembra como chegou até ele. Esses são Phil Stanton, Chris Wink e Matt Goldman, novaiorquinos que – lá no início de 90 – iniciaram um projeto de perfomances musicais com diferentes tipos de intrumentos artesanais. Logo depois eles se tornaram famosos estrelando os comerciais da fábrica de computadores da Intel. Em 1999 lançaram o primeiro Cd e de lá promoveram inúmeras turnês – inclusive ja passando pelo Brasil. Então deixa de conversa. Neste video eles se apresentam com canos de PVC. Se quiser saber mais continue procurando no You Tube.

Pagando pela boa imagem

O bom de ficar sábado a noite em casa é não perder o programa Altas Horas de final-de-semana. E a surpresa do dia foi o depoimento do ex-centroavante Carlos Casagrande – afastado da Tv desde setembro do ano passado após um grave acidente de carro e uma internação numa clínica de reabilitação por causa da heroína. Ele – vestido de branco e ao lado da Malu Mader – contou sobre como iniciou nas drogas e disse estar pronto para voltar a trabalhar e reajustar a vida. É por isso que acho a Globo a melhor. O comentarísta da emissora foi mandado para o programa por sua assessoria visando uma reconstrução do seu nome e – claro que o primeiro público a ser atingido – seria os jovens, porque o assunto foi Drogas. Se a trêta fosse por causa de um casamento seria no “Mais Você”, se fosse um ator que estaria prester a voltar em alguma novela seria no “Faustão”, assim que a coisa funciona – tá aí o video pra mostrar.

Depois o Skank tocou “É uma partida de futebol“, clássico de 1997, dedicando a música “de improviso ” para Casagrande, no telão os melhores gols do ex-jogador e a assessoria toda feliz – claro, tudo combinado. E falando em Skank # e falando em assessoria # fiquei pensando: Faz tempo que não vejo o Skank em lugar nenhum. Mas aí já veio a resposta. Novo CD. Isso. Estandarte foi lançado a uns 10 dias e os caras já foram também no Circo do Edgar – MultiShow, no programa RockGol – da MTV, novamente na Glogo no Caldeirão do Huck e mais um monte de aparições em tudo quanto é lugar. Esse é o bom de estar numa gravadora, ela coloca um grana alta para a divulgação e distribuição para que o novo Cd rode até cansar, ora se não.

E tem que vender bem. O último da banda, Carrossel, vendeu 200 mil cópias. Foi o disco que menos vendeu em toda a carreira do quarteto mineiro. A Sony BMG já está se virando pra que a coisa decole.  Depois de desembolsar uma grana colocando o single “Ainda Gosto Dela” na novela Negócio da China o disco deu uma subida nas vendas, já ocupando o 5º lugar na segunda semana nas lojas, contabilizando 20 mil Cd’s pelo país. Será apenas coincidência a banda lançar o disco junto com o Oasis? não, não, não…

#003: A força mutatória do Power Pop

O pop se resume a qualquer musica que atingiu grandes proporções, certo?

Embora seja de praxe um gênero ir se moldando com o passar dos anos para se manter na indústria do entretenimento, o Power Pop talvez seja o que conseguiu fazê-lo com maior eficiência. Surgido no início da década de 60, conseguiu se transformar e agüentar o Progressivo, o Hard Rock e o Punk de 70, as danceterias, os sintetizadores e o Metal farofa de 80 e ainda teve fôlego para aguentar aquele short colado dos anos 90 para finalmente # depois de quatro mutações # ser a célula principal do Indie e duvide quem quiser: a força motora de tudo o que está rolando por aí.

Em 60 o rock completava dez anos de existência e rapidamente havia se tornado popular através das rádios e dos programas na TV. Com isso o gênero passou a ser visto como nicho e não foi dificil perceber que esse novo “micro-mercado” já dava indícios de que precisava se reiventar para se tornar grande. As bandas inglesas dessa época (mais ou menos 1961/62) correram e desenvolveram diferentes tendências e técnicas para atingir as grandes vendagens dos seus discos, algumas se tornaram populares, outras nem tanto, mas nessa época surgiram três modos de se fazer música popular (porque não pop?)

Pete Townshend diz “Power Pop é o que tocamos” em 1967

A primeira era baseada em melodias dançantes e com riffs marcantes, bandas como The Who e toda a galera que era especialmente influenciada pela cultura Mod abraçaram essa pequena vertente que tinha a fama de obter a crueza pop # um flerte com o acid rock, que era o que vendia na época #. A segunda – e não menos popular – foi a de músicas que tinham em sua estrutura com mais riffs executados pela guitarra do que leads, mais acordes do que melodias. Bandas como The Monkees e os discos Rubber Soul (65) e Revolver (66) – dos Beatles – foram os principais representantes desse tipo de música pop. A terceira de que se tem notícia foi o que posteriormente foi chamado de “jangle guitar“, uma técnica baseada no som limpo e no uso de acorde abertos – claro, nem pensar em usar pestanas – e as palhetadas em sua maioria deviam ser tocadas lentamente. Embora muitas bandas tenham adotado essa técnica, The Byrds é considerada a precursora. Todas esses três caminhos que o Pop se direcionava tinham semelhanças em comum, sempre eram apresentadas com fortes melodias, grande numeros de harmonias vocais, acordes econômicos e o mínimo possível de Instrumentais solos. A junção desses fatores e das três sub-vertentes fez com que o guitarrista do The Who, Pete Townshend – numa entrevista cedida em 1964 – intitulasse a “onda” como Power Pop, que usou o termo “simplesmente” para definir uma contagiante progressão de acordes melódicos e poderosos de uma de suas canções.

Por estar em constante mutação o Power Pop demorou toda a década de sessenta para definir seu alicerce e criar consistência, por causa desses dois fatores o gênero se tornaria um fenômeno no início de 70. A postura neutra e de fácil acesso mercadológico fez com que o modo power de tocar o Pop fosse direto para a América, que encontrou e se misturou com os ritmos da moda por lá ocmo o Acid rock e o Hippie. Mas o gênero pegou os EUA não por causa do sua fórmula pop de fácil acesso, mas sim pelo fato de que qualquer país do mundo estava se preparando para a segunda invasão britânica depois de bandas como The Beatles, Elvis Presley, Yarbirds, Rolling Stones, The Animals, The Kinks, The Dave Clark Five, Gerry & The Pacemakers, porém, para surpresa de todos, essa segunda invasão britânica só aconteceria 30 anos depois com o Brit-Pop. O resultado dessa ida aos EUA foi o aparecimento de bandas como Raspberries e Stories, as primeiras bandas americanas do gênero a explodir no seu páis, mas que foram fortemente influenciadas por bandas britâncias como Boo Radleys e The Moody Blues. Nessa época a banda que atingiria as maiores proporções era a Badfinger, banda galesa que na época assinou com a Apple (diz a lenda que a pedido dos Beatles) e começou a circular o mundo, meses depois o business americano tinha que entrar na briga e logo providenciaram o aparecimento de bandas como Blue Ash, de Ohio, e o Big Star, do vocalista e guitarrista Alex Chilton, que recriou o uso de suas guitarras em texturas chamadas “ultrapessoais com melodias dignas dos melhores momentos de Lennon e McCartney”, dizia a crítica

Alex Chilton, primeiro da direita para a esquerda, a frente da britânica Big Star

No final de 70 o Power Pop tinha ganhado mais dinamismo com a criação de melodias com mais eletricidade e mesmo comumente sendo confundido como um Revival do Mod ou até mesmo com o Glam, seguia conquistando um número cada vez maior da fatia do mercado já disputando com o Heavy Metal e o Progressivo, quando todo mundo foi pego de surpresa: o nascimento do Punk (eu adoro fazer esses dramas). Mas se engana quem acha que ele tenha se desvairado para os cabelos moicanos cor-de-rosa, ao invés, correu para uma outra onda que já tinha um pequeno espaço no início de 80: A new Wave.

No final de 70 o mundo conheceu sua “Nova Onda” – e tudo mudou

Esse escoamento para a New Wave se deu pelo fato do Power Pop ser embrionariamente ligado ao Glam Rock – outro sub-gênero que se juntou a “Nova Onda” – e que aplicou a estética do figurino e a concepção visual do palco à esse novo gênero, que ainda correu boa parte do mundo e se expandiu criando outros sub-gêneros nas décadas seguintes. O Pós-Punk também se atrelou e bandas como Cheap Trick, The Knack, The Romantics, 20/20 e Elvis Costello & The Attractions foram as principais representantes. Mas o início da terceira mutação do gênero deu-se com a aparecimento de uma banda novaiorquina chamada Blondie, que juntou os sub-gêneros New Wave/Power Pop/Punk e representou toda a mudança que o rock estava sofrendo na época após a chegada dos sintetizadores. Desse momento a coisa só ía mudar de rumo novamente com o advento do Rock Alternativo poucos anos mais tarde e com as grandes produções de 90.

A partir da explosão do Rock Alternativo (nos anos 90 também chamado de Pós-Grunge) surgiram bandas que misturaram o Power Pop com essa nova estética musical, essas novas vertentes se chocaram e serviu como lado antagônico ao tamanho dos investimentos que as gravadoras injetavam em bandas como Queen, Guns and Roses e Nirvana, que acabou colocando bandas que apostavam no conceito Power Pop numa posição modesta no mercado. Em meados da década de 90 e indo até os anos 00, o gênero partiu para o underground midiático e uma série de gravadoras independentes como a Not Lame Recordings, Kool Kat Música e Jam Recordings – especializada no gênero – foram criando um novo campo para o sub-gênero até que em 94 a banda Weezer lança o Álbum Azul e é comercialmente bem sucedida e, mesmo emplacando apenas o hit “Buddy Holly” (veja o video), abriu espaço para outros grupos do mesmo segmento como The Cardigans, Pavement, Blur, Placebo e Wannadies, que receberam críticas positivas dos grandes veículos, dando assim vasão mainstrean para o pop que circulava o underground. O resultado foi o nascimento oficial do termo indie.

“Buddy Holly”, do Weezer – abriu uma parte do mercado para bandas alternativas

Mesmo que ao longo de todo esse tempo o gênero tenha sido soterrado por outras tendências, o Power Pop sempre ressurgiu com força total em uma nova onda e tomava de assalto uma parcela do mercado. Para se ter uma idéia, ao redor do mundo existem uma série de publicações especializadas como as americanas Yellow Pills e Audities, que além de estarem ligadas no surgimento de novas bandas, sempre revive os momentos cruciais do gênero ao longo da história do rock, relembrando momentos lendários e entrevistando bandas que pertenceram a época.

Fountains of Wayne – de 1995 – figura entre as principais do gênero nos EUA

Dentre as principais bandas atuais os destaques são Gigolo Aunts, Material Issue, Greenberry Woods, Vandalias e The Blow Pops, Bill Lloyd, Chris Von Sneidern, Brian Leach, Jim Basnight e A Man Called E.

Aqui em nosso país bandas como Pato Fu, Kid Abelha, Os Brasas e Paralamas do Sucesso garantem a cota brasileira juntos dessas outras bandas, porém, mesmo longe do mercado mundial, foram esses grupos que desenvolveram o gênero aqui no Brasil. Junto deles ainda podemos citar bandas como Replicantes, Pipodélica e Ludov.

Linha do Tempo:

Eddie Van Halen

Tocando Eruption, no auge. Essa música é do primeiro disco do Van Halen, lançado em fevereiro de 78 e que conquistou a marca de 10 milhões de cópias vendidas. A versão de estúdio tem menos de 2 minutos, essa – ao vivo e a melhor – tem mais de 8.

Britney nuínha

Vai ou não Vai?

Enquanto o Ringo Starr joga no lixo todas as cartas dos fãns que chegam a sua casa, e o ex-ministro Gil posa para a capa da Rolling Stone, Britney aparece nua para você em seu novo single. O Cd sai dia 02 de dezembro, quem vai querer esperar? De antemão já digo: a música é ruim, mas quem vai deixar de ver a loira nua?

Já tiraram o video do You Tube, então acessa esse AQUI.


Carpatia

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