Como reaparecer na mídia? (para bandas antigas)

Live 8 – o que foi preciso para chegar até aqui?

O título poderia ser mais sugestivo: Como aumentar as vendas em até 3.600% de uma banda que acabou a mais de 20 anos usando apenas estratégias de marketing eficientes? Parece estranho mas esse mesmo esquema criado por executivos logo ali atrás na década de noventa já foi adotado por bandas como The Police, Led Zeppelin, The Who, mas para entender como ele funciona vamos nos resumir a somente  uma banda, o Pink Floyd. O quarteto de Cambridge (UK) acabou 1984 depois de dois anos de uma intensa briga judicial que decidiria quem ficaria com o nome do grupo e depois da trêta # que deixou todo mundo liso por causas dos honorários dos advogados # nada de grande aconteceu com os integrantes, cada um lançava um disquinho aqui e ali sem nenhuma originalidade e que não chegava na lista dos mais vendidos nem na Tailândia (porque Tailândia?). Com a moral lá em baixo e a grana caindo por causa das baixas vendagens o jeito foi elaborar um plano de marketing que fizesse a banda voltar à grande mídia e conseqüentemente para boca-do-povo. Feito isso a coisa começou a mudar # a partir de 2000 – que é onde a nossa viagem começa.

disco inédito lançado em 2000 e gravado em 1980 – ao vivo

No final de março de 2000 a gravadora EMI lembrou que tinha uns fonogramas velhos da turnê do The Wall em 1980/81, deram um tapa no material e intitularam Is There Anybody out There?: The Wall Live 1980-1981, lançaram e rapidamente o disco alcançou o 19º lugar nos E.U.A (quem comprou a idéia na América foi a outra gravadora da banda, Columbia) e dois meses depois já atinge 1 milhão de cópias vendidas, o ex-vocalista e baixista Roger Waters aproveita o embalo e lança o In The Flesh – um álbum ao vivo com regravações do Pink Floyd – o disco é ruim mas fez com que ele programasse uma turnê mundial com o show do disco que acabou rendendo uma grana, mas que no final não deu em muita coisa (só pro bolso dos executivos) pelo menos colocou Waters na mídia novamente.

documentário sobre a vida de Barret, produzido pela BBC. Dias depois Syd se pronuncia “gostei do filme que vi na TV sobre mim”

Em 2001 um esquema que rolou muita grana fez com que a BBC lançasse o documentário “Syd Barrett: Crazy Diamond” e o mundo todo de repente tava se perguntando: Por onde anda Syd Barret? Ninguém tocava mais no nome do ex-vocalista e guitarrista fazia 30 anos, desde Wish You Were Here lançado em 1975. Então – Pra aproveitar o embalo – os executivos tinham que inventar mais alguma coisa pra manter o nome do Pink Floyd por cima, foi então que eles decidiram fazer o mais fácil e o mais óbvio: lançar uma coletânea oficial: Echoes chegou nas lojas do mundo dia 5 de novembro e rapidamente chegou na 2º posição nos EUA e Inglaterra. Mesmo sendo só uma compilação meio/mal/feita muita gente quis adquirir o seu. EM 2002 Roger Waters e David Gilmours lançam trabalhos solos, o do guitarrista é mais bem sucedido.

O ano de 2003 teria naturalmente outro gosto, são comemorados os 30 anos de lançamento do The Dark Side of The Moon, o disco obra prima da banda. Tudo o que os executivos puderam fazer foi um documentário sobre a gravação e curiosidades do disco e um relançamento em Super-Áudio CD (SACD), com novo encarte e capa – vendeu mais que água. No mesmo ano é lançado Live in Pompeii: A Versão do Diretor, o documentário de 1971 é relançado com novas imagens e o uma nova pincelada no making-of das gravações do Dark Side – todo mundo tava eufórico com o disco novamente. Quase no final do ano as manchetes de jornais tiveram uma surpresa: Gilmour, Mason e Wright tocam juntos duas do Pink Floyd (incluíndo The Gig Grea in The Sky, música do Dark Side) no funeral do produtor Steve O’Rourke, em sua homenagem. A partir desse ponto começam os rumores de uma possível volta do grupo # após 24 anos. Em 2004 Nick Mason aceita os conselhos da gravadora e lança a biografia completa da banda Inside Out – A personal history of Pink Floyd, e corre o mundo promovendo o lançamento, em uma das entrevista ele diz: “preferiria rodar o mundo tocando com o Pink Floyd, não com o livro” e os rumores aumentam.

Nick Mason em foto de divulgação do lançamento do livro Inside Out, sobre a banda

Já em 2005 # enquanto Waters trabalha duro na construção de sua ópera Ça Ira # Bob Geldolf (o mesmo que criou o Live Aid em 1985) lança a campanha Live 8, que juntaria oito cidades simultâneas com os principais artistas do mundo protestando contra o G-8. A sua meta é de – no último show – juntar o Pink Floyd em sua formação original dando vasão a todas as especulações feita pela mídia do mundo# inclusive na já citada Tailândia. Finalmente, depois de muito boato, dia 02 de Julho a banda se apresenta com a formação original no Hyde Park, em Londres, tocando quatro músicas, Waters fala que está muito feliz em “tocar com esses caras” e relembra Syd Barret (jogada?). As manchetes dos jornais diziam: “Segundo especialistas volta do Pink Floyd é a mais importante da música de todos os tempos” de repente todo mundo estava feliz, menos os headbangers claro. De acordo com o site Amazon.com o disco The Wall (1979) constatou um aumento de vendas de 3600%, Wish You Were Here (1975) em 2000%, The Dark Side of the Moon (1973) em 1400% e Animals (1977) em quase 1000%. E na semana seguinte todo mundo acreditava que definitivamente essa era a volta de umas das [agora] “mais importantes bandas de rock do planeta”. Antes do ano acabar Waters lança a sua ópera Ça Ira e em seguida, em 16 de Novembro, o Pink Floyd foi indicado para o Hall da Fama da Música do Reino Unido por Pete Townshend (The Who), a banda já havia sido indicado nos Estados Unidos em 1996 Por Billy Corgan (Smashing Pumpkins).

Em cinco anos e através de um grande plano de re-construção da marca e um pouco de sorte o Pink Floyd voltava a ser uma das bandas mais comentadas e procuradas do ShowBizz – e olha que a banda nem existia mais.

Em 2006 o que qualquer um dos remanescentes fizesse seria recebido muito bem pela crítica e Gilmour saiu na frente lançando, em 6 de Março, o ótimo On an Island e começou uma turnê de pequenos shows na Europa, Canadá e EUA, estava junto com a banda o tecladista Richard Wright e, durante muitas vezes para o Bis, o baterista Nick Mason. Dois meses depois Mason se juntou a Waters num show em Cork, na Irlanda, onde tocaram o Dark Side of the Moon na íntegra. Nesses tempos o baterista se torna o mediador entre os integrantes, os rumores só aumentavam e uma semana depois todo mundo é pego de surpresa: Dia 07 de Julho morre Syd Barret por complicações do diabetes. Gilmour inclui o single Arnold Layne (de autoria de Barret) na sua turnê e Waters embarca em sua nova turnê mundial: “The Dark Side of the Moon Live Tour”, caindo principalmente para países de terceiro mundo – no repertório musicas selecionadas do Pink Floyd e o Dark Side na íntegra, nos tempos livres ainda compôs uma música para a trilha de A Chave do Universo, filme lançado em 2007.

Para 2007 e pós morte de Barret já tinham programado duas coisas: Um Filme e uma nova coletânea. Gilmour lançou o filme Remember That Night (vide capa acima) e, mesmo não tendo quase que importância nenhuma na música, foi muito bem noticiado. A EMI não fez por baixo e inventou “o aniversário de 40 anos que o Pink FLoyd assinou com a gravadora” isso existe? Existe e lançou os três primeiros singles “Arnold Layne”, “Apples and Oranges” e “See Emily Play” além de uma edição limitadíssima com as mixagens estéreo e mono do primeiro disco The Piper at the Gates of Dawn incluindo gravações raras. Por mais absurdo que esse projeto possa parecer acabou dando muito certo e todo mundo comentou e comprou o relançamento.

David Bowie e David Gilmour tocam Arnold Lanne em tributo a Syd Barret

Em maio ainda foi programado um tributo a Syd Barrett no Centro Barbican, em Londres. Todos os Floyds se apresentaram, embora Water tenha tocado sozinho. E conforme prometido a coletânea saiu em dezembro, intitulada, Oh, By the Way, um box contendo todos os 14 álbuns de estúdio com suas respectivas atuais remasterizações e os encartes originais de vinil. Imagine o quanto o ano fechou lucrativo pra todo mundo?

Roger Waters no ensaio geral da Ça Ira, em Manaus

Nesse ano em abril a ópera “Ça Ira” de Waters foi executada no Brasil, durante o 12º Festival de Ópera de Manaus e em maio a banda recebeu o prêmio Polar em Estocolmo, Suécia. Em nota, os técnicos afirmaram que o prêmio foi dado a banda pela sua importância na evolução da música popular, por uni-la à arte, em sua proposta experimental, e por seu sucesso “capturar e formar reflexões e atitudes para toda uma geração, inspirando e marcando o caminho para o desenvolvimento do rock progressivo no mundo”.

David Gilmour toca em homenagem a Richard Wright oito dias após sua morte

Dia 15 de Setembro morre de câncer Richard Wright e já se especula um tribuito ao tecladista, que com certeza vai levar muita grana pra todo mundo e aumentar as vendas dessa que se tornou # de 2000 pra cá # a maior banda de rock progressivo da história. Uma vez David Gilmor disse que o Pink Floyd já a muito tempo deixou de ser uma banda para se tornar uma empresa, com metas e lucros a serem atingidos. Parece que essa empresa investiu bem em marketing nesse novo milênio, e agora o que vêm por aí?

4 Responses to “Como reaparecer na mídia? (para bandas antigas)”


  1. 1 paulo cesar abreu da fonseca maio 29, 2009 às 7:01 pm

    curtir bandas antigas eh igual a orgasmo,locura total velho! soh quem gosta pode falar!!!sp29/05/2009 paulogaucholoko132008@hotmail.com

  2. 2 paulo cesar abreu da fonseca maio 29, 2009 às 7:06 pm

    eh soh marcar shows e tocar brother! sp 29/05/2009!!! paulogaucholoko132008@hotmail.com

  3. 3 Banda Echoes abril 27, 2010 às 6:55 am

    Acredito que você não saiba, mas alguns discos foram lançados pela banda na década de 90, busque na internet e encontrará: Pulse, The Division Bells, Delicate Sound of Thunder, A Momentary Lapse of Reason, etc. Abraços, Kali Nardino – Banda Echoes


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