Arquivo para março \26\UTC 2009

Project Playlist faz EMI sair na frente?

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Em abril do ano passado as quatro grandes corporações do mercado fonográfico – EMI, Universal, Warner e SONY/BMG – embasados pela Associação de Gravadoras Americanas (RIAA) processaram o site Playlist, responsável pela difusão de música para mais de 42 milhões de usuários que estão cadastrados no serviço. Porém, a briga mal começou e ontem (24) a inglesa EMI anunciou uma parceria com o site e ofereceu todo o catálogo de artistas para os usuários usufruírem sem problemas. Quer dizer, quando o processo saiu a questão era que o site era um provocador de “violação maciça” dos direitos sem consultar ou pagar o artista. Agora é o quê? 

O bom da notícia é o quanto dá pra vêr que a gravadora ainda não descobriu um jeito de não perder grana com a internet. Agora o site vai disponibilizar para seus internautas enviarem de forma gratuita músicas on-line e ainda criar suas listas. O Project Playlist # como é chamda o novo acordo # tem os direitos de todas as ramificações da EMI: os selos Angel, Astralwerks, Blue Note, Capitol, Capitol Nashville, EMI Classics, EMI CMG, EMI Records, EMI Televisa Music, Manhattan, Mute, Parlophone e Virgin. Que é mais ou menos as músicas de artistas como: Tina Turner, The Beatles, Lilly Allen, David Bowie, Roxette, Radiohead, Spice Girls, Pink Floyd, Queen, Coldplay, The Byrds, Iron Maiden, The Hollies e os brasileiros Legião Urbana e Mamonas assassinas, além de vários outros.

40 anos depois do Astral Weeks

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Em 1968 a Warner Brothers Records apostou suas fichas na música pop. Escolheu um cantor jovem meio riponga e meio folclórico (o que pegava na época) que tinha lançado apenas um disco não muito expressivo e resolveu botar grana. Astral Weeks saiu e recebeu uma crítica (hoje histórica) do jornalista Gongo Lester Bangs. Essa euforia apresentada no texto do jornalista e toda a magia R & B que Van Morrison poderia oferecer com seus 22 anos fez com que esse álbum conseguisse ser um grande disco pop época para – anos depois – se tornar mais um desses cult(zinho).

Tá bom, deixa pra lá. A atmosfera enigmática do disco se juntou a frutífera cena pop de 60 e virou um clássico musical. A boa notícia é que para comemorar os 40 anos do disco a EMI (hoje a gravadora do cara) gravou ano passado o Show Astral Weeks – Live At the Hollywood Bowl – saiu no começo desse ano. Lá o disco é tocado na íntegra e ainda conta com uma produção impecável. Não é o melhor momento do cantor (agora com mais de 60 anos) mas vale pelo registro histórico.

baixe o disco lançado em 1968

Just a fest?

Tudo parou nessa semana por causa de um único evento, a causa: primeiro porque finalmente o Radiohead está no Brasil. Segundo porque o Kraftwerk está no Brasil. E terceiro porque o Los Hermanos está no Brasil, mas esse último – mesmo em casa – estão mais perdidos que as outras duas bandas. Mas vamos ter tempo pra explicar isso melhor. Enquanto isso vamos ver o que aconteceu ontem no Rio de Janeiro?

Fala aí Bruno.

Strauss @ Sukkata Pub!

A década de 90 tinha tudo para ser uma continuação das grandes jogadas publicitárias criada pelas gravadoras na década anterior e se tornar outra época em que o lucro fosse a mola propulsora (o start) da maioria dos projetos no mundo da música. Claro, esse mesmo mundo da música não suportaria vinte anos com esses projetos tão megalomaníacos de 150 mil pessoas em estádios e o rompimento desse tipo de mercado era próximo. E assim como a os anos 70 criou o heavy metal e o punk para protestar contra o progressivo, o glam e o power pop que estava rolando na época, o movimento de bandas alternativas do final de 80 e início de 90 tinha por objetivo atender a “demanda de insatisfeitos” que não estava nem um pouco interessados naqueles estádios lotados do festejado “arena rock”. Na contramão, surgiram bandas que desafiaram as duas principais apostas (e lucrativas) do show bizz: Nirvarna e Guns ‘n’ Roses (ou você acha que esses dois grupos não foram produtos de executivos num esquema que rolou muita grana?). Essas pequenas bandas chamadas alternativas se moldaram aos movimentos de contra-cultura entre os jovens e se fortaleceu como um nicho nanico e paralelo sobre a larga fatia do mercado americano. A brincadeira foi estrondosa para as gravadoras da época. O Brasil, que sempre adere às novas propostas musicais com um retardamento de em média 5 anos (vide Secos & Molhados e RPM) deixou primeiro o underground absorver a onda alternativa. De um certo tempo, o mercado nacional começou a assimilar essa nova realidade que ganhava cada vez mais força e, embalados pelo sucesso underground das bandas punk paulistas na década de oitenta, uma série de bandas nasceram ao redor do país: uma delas em especial é a Strauss, daqui de Cuiabá.

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Montada em 1995, quatro caras de pé rachado (como é típico os que nascem na capital mato-grossense) juntaram suas influências embasados nesse mercado alternativo que surgia no país, somaram tudo à uma temática pop e, após o lançamento do primeiro disco, foram onde – na época – nenhuma outra banda do Estado havia chegado. Anos depois a banda acabou e o retorno se tornou apenas uma conversa de bar, até que em 2007 as coisas voltaram a ser como antes, ou melhor, hoje não mais com a troca do vocalista (agora que esta lá é Thiago Rocha, que cantava no Kayamaré, banda de Reggae) e com a adição de um novo integrante, Marcus Facchini, na guitarra base e que também toca o instrumento do irmão – o baterista Alexandre – quando não pode ir nas apresentações. Quinta-feira passada fui vê-los no Sukkata Pub, a noite era só com eles e por causa de uma boa interação e intimidade com o público está cativando pessoas a irem toda semana para lá, transformando a quinta-feira um dia legal para sair pela cidade. Enquanto rolava o som me lembrava desse momento alternativo vivido quase vinte anos antes e o quanto ele ainda sobrevive em bandas como essa, que se modernizam com a mesma força de mudança que o power pop tem. Quase no final do show ainda rolou uma do R.E.M e tudo se transformou num ciclo. Se tiver por ai numa quinta-feira perto do Gerônimo West Music – de bobeira – vai lá ver isso de perto.

foto Dríade Aguiar – Volume Comunicação.

4 acordes e um grande sucesso

A industrialização da arte como produto feito em grande escala foi uma das formas que o filósofo alemão Theodor Adorno usou para atacar o capitalismo já na década de 40. Mal sabia ele que a industrialização da arte – principalmente da música – ficaria sem rumo na década de 80, onde tudo se resumia em marketing/mídia e um bom agente para uma banda funcionar. No seu estudo Sobre Musica Popular Adorno diz que o esquema trabalhado é bem simples: usa-se uma estruturação que consiste em 32 compassos (chorus) que se junta a um tema melódico que não ultrapassa um oitava e uma nota. E repete-se.

Pode parecer coisa de maluco porque ninguém vai ficar contando os compassos de uma música – as pessoas vão simplesmente gostar dela ou não. Mas ainda segundo o estudo, esse esquema chega ao inconsciente que processa uma audição com mais facilidade porque já nos familiarizamos com a estrutura, aumentando assim a aceitação e o pensamento de “novo sucesso”.

Para resumir isso tudo dois comediantes australianos criaram uma banda chamada The Axis of Awesome e lançaram uma música chamada four chords. Sim, quatro notas, a música só tem quatro notas (E B C#m B) que são tocadas uma vez por compassos. Mas o que diferencia é que em cada compasso é entoado grandes sucessos da música mundial # todos com a mesma nota e estrutura, percebeu o que Adorno dizia? No total, são 36 músicas de cantores como U2, Coldplay, James Blunt, Alicia Keys, Black Eyed Peãs, The Calling e Maroon 5. Gostou? Ficou curioso? Então veja o vídeo e divirta-se com o maravilhoso mundo da industria cultural.

Keane em terceira dimensão

Ano passado Viva la Vida or Death and All His Friends – do Coldplay – foi o disco que mais vendeu no mundo em 2008, o U2 lançou um disco recentemente e em uma semana vendeu mais de meio milhão de cópias (isso porque o disco vazou duas semanas antes), o Led Zepellin quase voltou e Pete Dorothy já mostra sinais de vida lançando um novo single no My Space. Peraí, com todos essas britânicos levantando sua carreira não será possível que o Keane (que está no Brasil) vai ficar de fora não é? É! Daqui a cinco dias sai o novo single do trio, Better Than This, que vem com uma novidade: um óculos 3D! Espantado? Pois é, esses óculos especiais servirão para assistir a uma transmissão 3D de uma apresentação que será realizada no estúdio Abbey Road, em Londres. Quem quiser ver é só ficar ligado no site da banda no dia 2 de abril e pra quem não achar o single, vá na papelaria mais próxima e compre dois papeis celofane (azul e vermelho) e coloque em cada olho, pronto, háhá.

SuperCovers #02: Muse X Can’t Take My Eyes Off You

Em 2004 o Muse já era um power-trio com fama mundial, porém, quando resolveram lançar o Symmetry Box – um edição francesa limitada com nove discos com sucessos da banda – tiveram a idéia de gravar algo novo, que já saísse pronto e com sucesso quase-garantido: claro, veio a idéia do cover. E a música foi aquela que todo mundo já ouviu em algum momento na vida, mas que quaseninguém sabe de onde vem mesmo. A canção em questão é a Can’t Take My Eyes Off You da banda The Four Seasons. Pertencente a lucrativa cena pop americana da década de 60, o grupo era liderado pelo americano com ascendência italiana Frankie Valli, um dos primeiros “hit-man” do showbizz que, dentre outros vários sucessos, dominou as paradas e os corações com as deliciosas Sherry, Big Girls Don’t Cry e Spend The Night In Love por um bocado de tempo. Assim como aconteceu há quatro décadas, a música rodou e colocou o Muse nos ouvidos de quem nunca ouviu falar de um trio rock alternativo. pronto pra eles (e pro cover)

Revisitando: Para aquecer os corações, quem viu o Heath Ledger cantando essa mesma música no filme 10 Coisas que eu odeio em você vai relembrar agora e ficar com o pensamento na cabeça: eu sabia que já tinha escutado essa música, eu sabia…


Carpatia

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