Strauss @ Sukkata Pub!

A década de 90 tinha tudo para ser uma continuação das grandes jogadas publicitárias criada pelas gravadoras na década anterior e se tornar outra época em que o lucro fosse a mola propulsora (o start) da maioria dos projetos no mundo da música. Claro, esse mesmo mundo da música não suportaria vinte anos com esses projetos tão megalomaníacos de 150 mil pessoas em estádios e o rompimento desse tipo de mercado era próximo. E assim como a os anos 70 criou o heavy metal e o punk para protestar contra o progressivo, o glam e o power pop que estava rolando na época, o movimento de bandas alternativas do final de 80 e início de 90 tinha por objetivo atender a “demanda de insatisfeitos” que não estava nem um pouco interessados naqueles estádios lotados do festejado “arena rock”. Na contramão, surgiram bandas que desafiaram as duas principais apostas (e lucrativas) do show bizz: Nirvarna e Guns ‘n’ Roses (ou você acha que esses dois grupos não foram produtos de executivos num esquema que rolou muita grana?). Essas pequenas bandas chamadas alternativas se moldaram aos movimentos de contra-cultura entre os jovens e se fortaleceu como um nicho nanico e paralelo sobre a larga fatia do mercado americano. A brincadeira foi estrondosa para as gravadoras da época. O Brasil, que sempre adere às novas propostas musicais com um retardamento de em média 5 anos (vide Secos & Molhados e RPM) deixou primeiro o underground absorver a onda alternativa. De um certo tempo, o mercado nacional começou a assimilar essa nova realidade que ganhava cada vez mais força e, embalados pelo sucesso underground das bandas punk paulistas na década de oitenta, uma série de bandas nasceram ao redor do país: uma delas em especial é a Strauss, daqui de Cuiabá.

publico1

Montada em 1995, quatro caras de pé rachado (como é típico os que nascem na capital mato-grossense) juntaram suas influências embasados nesse mercado alternativo que surgia no país, somaram tudo à uma temática pop e, após o lançamento do primeiro disco, foram onde – na época – nenhuma outra banda do Estado havia chegado. Anos depois a banda acabou e o retorno se tornou apenas uma conversa de bar, até que em 2007 as coisas voltaram a ser como antes, ou melhor, hoje não mais com a troca do vocalista (agora que esta lá é Thiago Rocha, que cantava no Kayamaré, banda de Reggae) e com a adição de um novo integrante, Marcus Facchini, na guitarra base e que também toca o instrumento do irmão – o baterista Alexandre – quando não pode ir nas apresentações. Quinta-feira passada fui vê-los no Sukkata Pub, a noite era só com eles e por causa de uma boa interação e intimidade com o público está cativando pessoas a irem toda semana para lá, transformando a quinta-feira um dia legal para sair pela cidade. Enquanto rolava o som me lembrava desse momento alternativo vivido quase vinte anos antes e o quanto ele ainda sobrevive em bandas como essa, que se modernizam com a mesma força de mudança que o power pop tem. Quase no final do show ainda rolou uma do R.E.M e tudo se transformou num ciclo. Se tiver por ai numa quinta-feira perto do Gerônimo West Music – de bobeira – vai lá ver isso de perto.

foto Dríade Aguiar – Volume Comunicação.

3 Responses to “Strauss @ Sukkata Pub!”


  1. 1 Gabriel Lucas março 12, 2009 às 8:23 pm

    A Strauss é uma banda que realmente marcou época. E esse projeto deles no Sukatta parece ser super legal!

  2. 2 Karolina Wega março 13, 2009 às 8:07 pm

    Bom, nao peguei essa fase da banda nos anos 90, mas a volta deles promete! tive a oportunidade de ver o show deles, e percebi q estao com força total e com muita animaçao!
    é bom ver uma banda com a historia q eles tem ainda consigam sobreviver na cena, com tantas modinhas aparecendo..
    Com certeza Sukatta pub nos dias d quinta com Strauss eh uma boa pedida pra animar a noite!

  3. 3 Luciano abril 8, 2009 às 1:17 am

    Posso dizer que acompanhei a Strauss em quase todas as fases e sei o que a galera ralou pra fazer o que gostavam e chegar onde chegaram… por isso sempre que tiver um show, com certeza, vou estar lá. Pois o bom e velho rock’n’roll sempre vale a pena.


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