Arquivo para novembro \30\UTC 2009

No Palco #01: Live At Pompeii – Pink Floyd

1971 foi um ano decisivo para o Pink Floyd. Logo após a saída do vocalista, guitarrista e também homem que deu o nome da banda, Syd Barret, o quarteto experimentou várias sonoridades tentando a todo custo sair da especulação “space rock” (fruto da corrida espacial entre Eua e União Soviética) e descobrir o seu “verdadeiro” caminho. Um dessas saídas foi a exaustiva incursão ao rock psicodélico progressivo. Na época uma sonoridade difícil de classificar mas que levou a banda a um certo patamar de notoriedade.

Pensando em capturar esta fase o diretor Adrian Maben apareceu com a idéia de fazer um filme/show para a banda. Na época esse tipo de marketing estava ficando famoso por causa do sucesso comercial que foi Live at Leeds, lançado um ano antes pelo The Who.

Porém Adrian não queria apenas um show e seus bastidores, queria algo nunca tivesse sido feito. Foi quando tiveram a idéia de armar um concerto sem público no coliseu da cidade de Pompeii, situada na província de Nápoles, na Italia. Famosa por sua deformação vulcânica, a comunidade foi destruída por uma chuva vulcânica em 79 D.C e até hoje preserva os resquícios do dia fatídico. Um ponto turístico muito delicado por sua estrutura frágil. A banda reservou junto ao governo local cerca de quatro dias para as filmagens, mas foi pega de surpresa por não ter energia suficiente para manter toda a estrutura. Um grande cabo de força foi providenciado com mais de 4km de comprimento do coliseu até a prefeitura mais próxima. Por conta desse atraso a banda só pôde executar o show apenas uma vez, e é essa versão que vemos no filme, que obteve um relativo sucesso na época, sendo exibido na TV, inclusive. Uma versão exclusiva do diretor foi lançada em 2003.

No show, temos a banda em perfeita unidade, no seu melhor momento de transição. Tanta psicodelia e sons cósmicos transformaram um simples show no “primeiro contato com seres de outros planetas” disse a imprensa local logo após o lançamento. O baterista Nick Mason está em sua melhor forma, depois daquele show ele nunca mais esteve tocando tão bem. Canções clássicas como A Saucerful of Secrets e as duas partes de Echoes não tiveram execução melhor do que naquela tarde. Ainda é preciso lembrar-se da famosa cena em que a banda está na lanchonete do Abbey Road, gravando o The Dark Side of The e Moon.

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Beatles separados, será que deu certo?

Depois daquele fatídico 08 de abril de 1970, quando Paul McCartney disse “o sonho acabou”, martelando o fim dos Beatles, começou o estranho mundo solitário dos quatro fabulosos rumo a sua identidade musical e política. Cada um buscou uma vertente e foi até o fim. Para o bem ou para o mal, a representação social, política e antropológica da ex-banda ainda continuou viva.

Paul McCartney era o mais musical, o primeiro a chegar e o último a sair do estúdio. Seus discos poderiam facilmente pertencer a discografia dos Beatles, pois se sabe que era dele a maioria das melodias e arranjos, isso ficou claro nos seus discos com os Wings e sozinho. O melhor exemplo que Paul nos deixa é que um artísta nunca deve envelhecer musiucalmente. Ele sabe acompanhar as tendências e se inserir nelas. Sendo fazendo discos de musica eletrônica, como o projeto Firebird, como o pedido dele para tocar com o MGMT, uma banda que não tem nem três anos de existência.


George Harrison acentuou sua imagem mística e usou da influência de sua ex-banda para promover a World Music. Aprendeu cítara e divulgou a música indiana, produzindo concertos por lá, inclusive.


Ringo Starr sempre esteve no meio artístico. Seja como músico, gravando regularmente discos solos ou fazendo participação com outras bandas. Se aventurou pelo cinema e para falar a verdade nunca mais fez nada demais. Passou a vida toda vivendo da “pôse” de um Beatles e para ele sempre esteve bom assim. Nada de anormal, quando os Beatles estavam na “ativa” a postura dele era a mesma.


Jonh Lennon se transformou num cara de meia-idade. Lutou por um mundo melhor, fez passeata nas ruas, fez protesto numa cama, buscou derrubar as fronteiras dos países enquanto tinha várias mansões “cercadas” pelo país e mostrou ao mundo o seu excêntrico relacionamento com a também excêntrica Yoko Ono. Depois do nascimento do segundo filho resolveu ter uma vida pacata em casa, como se fosse possível. Retratou todas essa fases em suas músicas, outra característica que adquiriu enquanto estava nos Beatles.


O algodão de Luiz Gonzaga

Em 1929 um colapso econômico se alastrou pelo mundo. A queda da bolsa de valores americana atingiu o Brasil e porrada foi maior para os ricos empresários que trabalhavam com exportação de café. Nessa época já éramos o maior exportador do mundo e por essa superprodução os preços caíram e o governo viu-se obrigado a queimar – isso mesmo – destruir boa parte do estoque e segurar os preços.

Nesse ínterim, os cafeicultores de São Paulo conseguiram se reerguer, Minas Gerais começou a produzir leite e a região leste do nordeste desenvolvia sua produção de algodão. Só para ter uma idéia, em 1930 o estado da Paraíba tinha 650 mil hectares de área plantada e produzia 3 milhões de quilos de algodão de caroço. Tudo era enviado para o porto internacional de Pernambuco, em Recife. Nas décadas seguintes algumas cidades da região se tornaram grandes pólos do chamado “ouro branco”, trazendo desenvolvimento e renda para o sertão castigado pela fome e sede.

Essa história inspirou Luiz Gonzaga a compor uma música que falasse de todo esse processo de plantar o algodão e cultivar desenvolvimento. Nascido em Exú, bem no sertão pernambucano, Luiz tinha vivido na pele essa transformação com a exploração do algodão. “Ouro branco que tanto enriquece o país, um produto do nosso sertão”, canta. Experiências como essas – de sintetizar o momento social do nordeste – era uma das especialidades de Luiz Gonzaga. Essa inteligência chamou a atenção da jornalista francesa Dominique Dreyfus, que em 1997 publicou o livro Vida do Viajante: A saga de Luiz Gonzaga Vozes do Brasil, contando a representatividade do sanfoneiro para com os símbolos e acontecimentos do sertaneijo.

Invasão Argentina






Festival Calango 2009 @ Revista Noize

“É isso ai, vamos lá, seguindo o ritmo”, dizia Marku Ribas para um público dançante na Praça das Bandeiras, em Cuiabá. Um local – diga-se de passagem – que desde a inauguração nunca havia sido usado para um evento com tanta pluralidade musical. Gol de placa para a sétima edição do Festival Calango, que rolou nos dias 30, 31 de outubro e 1 de novembro no centro da América do Sul.

O festival tem um diferencial dos demais, entrelaça bandas de diferentes gêneros e regiões, uma oportunidade para o público não só ouvir coisas diferentes em suas oito horas diárias de músicas, mas também saber como se toca de norte a sul do país. Do Amapá ao Rio Grande do Sul, do Ceará até o Acre.

A nossa viagem começou no Centro de Eventos do Pantanal e Cuiabá ficou quente. Para você que não acredita, por aqui o termômetro destaca 42 graus e nem adianta um lencinho para enxugar a testa. A programação em tom experimental é o que leva o público a ficar tanto tempo em pé, que em apenas uma hora, dançou com a e-music rock do O Garfo, a pancada do Venial e todo o folclore do Caldo de Piaba, do Acre. Essa experimentação também ganha novos sabores, seja pela maria izabel e a farofa de banana – comida tipicamente cuiabana vendida na praça de alimentação – como os jogos de fliperama que fez fila entre uma banda e outra.

Por si só Cuiabá já é uma cidade socialmente cosmopolita. Isso porque nos anos 70 recebeu imigrantes de todo o Brasil em busca das oportunidades do então “novo mundo”, isso fez com que a geração seguinte se tornasse receptiva a tantas coisas. Mesmo assim a cena independente/underground não consegue auto-suficiência. O Calango desponta como um dos grandes eventos da vanguarda musical no país e seus articuladores importantes nomes da “cultura ligada em rede”, mas por aqui ainda era visto apenas como um festival re rock, ou melhor, um festival de rock independente. “Era” porque o ambiente mudou. Levar o festival para o Centro de Eventos do Pantanal ano passado deu um “tchan” na visualização da produção, mas a ida para a Praça das Bandeiras – construída no centro político da cidade, a sede de tudo do governo – renovou esse público e tudo se ampliou. Um local perfeito para um festival de música.

Boa surpresa no show do E.M.I.C.I.D.A., que sempre me fez pensar que seu hype tenha “acontecido” pela falta de um rapper diferente no cenário. Mas não, o cara tem um bom show e grande espiritualidade. Toninho Horta trouxe uma “classe” bem diferente ao festival e fisgou novos bons ouvintes que passavam na avenida ao lado, uma das maiores da cidade. No quesito bandas locais, atenção especial para a ótima apresentação do MPbista Paulo Monarco, o desenvolvimento estético dos Vitrolas Polifônicas, a boa performance do Venial e o sempre incrível Ebinho Cardoso, contra-baixista que está construindo seu espaço no olimpo da música brasileira.

    * Por Dewis Caldas, publicado originalmente na Revista Noize
    , Porto Alegre/RS, edição #29/Novembro de 2009

Morrissey + Carlinhos Brown = Garrafadas


Morrissey@Liverpool Echo Arena 2009

APÓS A GARRAFADA
se recompôs, olhou para o público e disse “adeus”


Carlinhos Brown @ Rock in Rio 2001

APÓS A GARRAFADA
“Pode jogar o que você quiser que nada me atinge. Nada me atinge! Eu sou da paz! Olha, não adianta gostar de nada quando não se tem juízo. Quando não se pensa. Quando não raciocina. Não adianta gostar de nada. Tem que ser pelo amor. Você que gostam de rock tem muito que aprender na vida. Aprender a respeitar o ser humano, dizer não à violência e dizer sim ao amor. Acredite na vida, gente. Agora, o dedinho pode enfiar no traseiro…”

Iggy Pop

E o Macaco Bong, que foi muito elogiada pela apresentação.


Carpatia

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