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SuperCovers #07: Nazareth X Love Hurts

Sim, o amor machuca, deixa cicatrizes, mas também pode dar um “up” em qualquer banda. Nazareth já tinha quinze anos de existência e um certo reconhecimento em seu país quando era apenas uma banda que tocava covers nos principais bares de Dunfermline, leste da Escócia. Mas tudo mudou quando decidiram colocar “Love Hurts” no seu sexto disco, Hair of The Dog, de 1975. O álbum vendeu 2 milhões de cópias e rendeu um disco de platina nos EUA, o que assegurou notoriedade mundial e uma promissora carreira no decorrer da década. E as décadas seguintes foram frutíferas: na continuação de 70 ‘ e 80’ o quarteto ainda lançou 14 discos entre inéditos, coletâneas e shows aos vivo, dando outro norte à banda que, mesmo não conseguindo o sucesso comercial de Love Hurt, soube se reinventar e criar outro público além do hit. Por isso, hoje a banda é considerada um exemplo para grupos iniciantes por sua força frente às diversidades e fracassos.

O início – naturalmente – não foi fácil. Depois de oito anos tocando covers e trocando inconstantemente de integrantes, finalmente conseguiram gravar material inédito e, com muito esforço na cena local, abrir os shows do Deep Purple, em 1973, na parte inglesa da turnê do álbum Machine Head e Who do we Think we Are. Essa aproximação fez com que o baixista Roger Glover produzisse dois discos no início de 70’ que obtiveram satisfatório sucesso no país. Em 1999, antes do show de abertura da turnê pelos EUA o baterista Darrel Sweet morre subitamente de infarto, a banda retornou meses depois com o filho do baterista no posto do pai, continuando a turnê, agora em homenagem ao baterista. Em 2008, a banda rodou o mundo numa turnê comemorativa de 40 anos de atividade ininterrupta. No Brasil, nada menos que dez cidades receberam o show do quarteto.

A música, composta pela dupla cowtry Felice Bryant e Boudleaux Bryant, foi primeiro gravada pelos The Everly Brothers, grande influência da música pop a partir dos anos 50, mas só conseguiu relativo sucesso na voz de Roy Orbison em 1961. Em 50 anos a canção já apareceu em inúmeras versões, sendo comum figurar em momentos amorosos em filmes e seriados televisivos.

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A “nova” Sandy?

Não, não sou desses que gosta de falar mal de um disco sem ao menos tê-lo escutado. Pelo contrário, aqueles que eu não gosto são os que eu mais ouvi. Me refiro ao novo disco da “nova” Sandy. Na verdade o disco ainda não saiu o que ocorreu foi um vazamento estratégico de um pedacinho da música de trabalho desse novo disco e da nova Sandy, mas que de nova só o cabelo. Mesmo timbre, mesma idéia, mesma impostação e a mesma idéia de moça do interior que veio estudar na cidade. Nada contra esse conceito, funcionou no passado, mas o mercado mudou pra valer. E para piorar, o teaser lançado pela produção não ajuda em nada nesta nova fase. Ela vêm andando pela calçada e menciona o novo começo longe do irmão, sozinha. E pronto, acho que vai demorar para eu esquecer daquele complexo de “ O que é que você foi fazer no mato Maria Chiquinha”. O mercado mudou, está mais ousado, mais possibilidades, na arte não existe mais o feio e o bonito, a música é maior. Será que vai ser preciso ela quebrar a cara como o Marcelo Camelo para se refazer artisticamente? tudo bem, vamos aguardar.


    E o que é isso, uma demo?

Music of 1880 to 2010

Quase sempre a gente se depara com um vídeo que mostra – de forma cronológica – uma estilo, um artista, disco, banda ou até mesmo uma vertente musical. Neles, geralmente com mais de 10 minutos, têm-se uma sequência de músicas com um trecho de 20 segundos cada, na delirante tentativa de uma síntese um determinado tema. Já vi do Punk Rock, de Música Clássica, do Bartô Galeno e até mesmo do Miles Davis, mas esse último que encontrei é o mais completo, tanto em ordem cronológica como em versatilidade de gênero. O programa completo de 92 partes, por isso, vou colocar aqui os 10 primeiros, se quiser mais é só continuar no youtube.

    Music of 1880 to 2010 (Part 3: 1917 to 1932)
    Music of 1880 to 2010 (Part 4: 1932 to 1941)
    Music of 1880 to 2010 (Part 5: 1941 to 1947)
    Music of 1880 to 2010 (Part 6: 1948 to 1954)
    Music of 1880 to 2010 (Part 7: 1954 to 1956)
    Music of 1880 to 2010 (Part 8: 1956 to 1956)
    Music of 1880 to 2010 (Part 9: 1956 to 1957)
    Music of 1880 to 2010 (Part 10: 1958 to 1958)

Remember This Hit? #08: Aquarela do Brasil

Há quem diga que essa música é mais conhecida no exterior que o Hino Nacional Brasileiro. E mais, tem gente que acha que ela é o hino do Brasil. Mesmo sendo uma das mais populares canções brasileiras, Aquarela do Brasil não foi um hit instantâneo no seu lançamento. Pelo contrário, primeiro conseguiu espaço no mercado internacional e depois, pelo burburinho americano, chegou às rádios brasileiras. Desde então já foi executada pelos maiores cantores dos quatros cantos do mundo que reproduzem o artifício criado pelo produtor Radamés Gnattali de preencher com marcação rítmica [através dos instrumentos de sopro] os intervalos mudos, algo não era muito usuau para a época, mas que se massificou nas décadas seguintes. Dentre as versões mais famosas incluímos Frank Sinatra (que fez uma versão com letra em inglês), Chet Atkins, Ray Conniff, George Brass, Dione Warwick, Arcade Fire e Plácido Domingos. Se contarmos o número de cantores brasileiros, filmes e seriados televisivos o número de execuções torna-se incalculável.

Composta por Ary Barroso numa noite chuvosa no final de 1939 e lançada no mesmo ano, a música – que primeiramente foi gravado por Francisco Alves (Odeon) – não conseguiu grande expressão em suas primeiras audições, porém, foi escolhida pelos estúdios de Walt Disney para o filme Saludos Amigos (Olá amigos), de 1942. Na telona, a música é rodada enquanto os personagens Pato Donald e Zé Carioca passeiam pelos principais pontos da cidade maravilhosa, uma cena clássica que recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Trilha Sonora de Filme Musical e Melhor Canção Original. Isso abriu caminho para Ary Barroso conquistar os americanos e carimbar seu passaporte rumos aos EUA’s, onde recebeu um diploma da Academia do Oscar pela trilha sonora do filme Você já foi à Bahia? (1944), além de inúmeros convites para trabalhar em Hollywood. Barroso aceitou alguns mas logo voltou para o país que tanto retratou em suas músicas.

Politicamente, o Brasil vivia um momento autoritarista comandado por Getúlio Vargas. O Estado Novo, que durou de 1937 até 1945, trouxe certo desenvolvimento para o país como a Carteira de Trabalho e a Justiça do Trabalho, além de um forte impulso à industrialização. Mesmo assim (ou por isso), o país vivia sob forte censura e Aquarela do Brasil teve vários versos banidos pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) por usar jargões como “inzoneiro” e “trigueiro”. Desse episódio da censura, dizem que o maior desafio de Ary foi convencê-los de deixar de lado o verso “terra do samba e do pandeiro”, que segundo o governo era “depreciativo” para o Brasil. Ary foi pessoalmente defender a letra da canção e explicar seu efeito poético. Considera-se o lançamento desta música o início da vertente “samba-exaltação”, que como o nome diz, tinha por objetivo exaltar a cultura brasileira e os seus detalhes.

Aquarela do Brasil, ao lado de Tico-tico no Fubá de Zequinha de Abreu e Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, é a música brasileira mais conhecida no mundo.

O Pink Floyd está certo em processar a EMI?

O Pink Floyd processou a EMI – sua gravadora há mais de quarenta anos – por ter colocado músicas individuais de sua discografia para download gratuito na internet. A justiça acatou a decisão e mandou a gravadora tirar do ar as faixas disponíveis, permitindo apenas o download de discos inteiros. Pode parecer estranho, mas já explico. A banda inglesa é hoje uma das referências do rock progressivo e Roger Waters, baixista, vocalista e letrista do grupo sempre teve uma fixação na cabeça: construir discos que tivessem músicas ligadas, com a mesma precisão harmônica, de timbres e sensação, como uma ópera ou um musical.

Ele elaborava um tema para o disco e todas as músicas eram de acordo com o tema e suas variações. Como exemplo, o The Wall (79), que aborda o muro que as pessoas colocam ao redor de si e com eles seus medos, traumas e etc. O disco inteiro tem essa temática, começa com o nascimento e a relação do personagem com a mãe, a infância, o casamento, as traições e finalmente o julgamento final. Tal teatralidade deu origem ao filme The Wall, que utiliza todos os recursos temáticos do filme. Para Waters, o disco é uma obra de arte completa, tirar um música é como tirar a orelha da Monalisa. De certa forma ele está certo.

Pois bem, alguns musicólogos dizem que no futuro não existirão discos completos. As pessoas (e a rapidez que elas viverão) vão querer apenas ouvir músicas separadas. Vai querer baixar um áudio isolado e pronto, parte para outro. Isso faz com que o mercado se adapte à essa talvez realidade. Em 2008 o Coldplay lançou o disco Viva La Vida or Death and All His Friends e no mesmo ano jogou no mercado o Ep Prospekt’s March, que funcionou como uma continuação do disco. O Radiohead fez a mesma forma, lançando músicas esporádicas pela internet. Aqui no Brasil, a banda Violins disponibilizou uma música por semana quando foi lançar o disco Grandes Infiéis, em 2005. Esses exemplos são indícios das mudanças que já ocorreram, mas ainda é muito cedo para falar que será definitivo. E você, acredita nessa mudança?

Paul te ensina “Ever Present Past You”

Mika

A dança desengonçada, os falsetes que aparecem na hora certa, as melodias atípicas construídas ao piano e sobretudo a incrível técnica vocal (muitas vezes comparada a Freddie Mercury) podem te pegar de jeito e chamar a atenção logo na primeira vista. Mas o cantor – que cresceu entre Paris e Londres – ainda esconde o seu maior triunfo: a musicalidade.

Nascido em Beirute, capital do Líbano, filho de um famoso banqueiro americano e uma designer de moda libanesa, sua primeira incursão na música foi aos onze anos em um coral, apresentando uma opera de Strauss. Nessa época morava em Paris. Daí em diante não parou mais. Mesmo morando em dois grandes centros europeus, um pai americano e uma irmã que mora em Xangai, Mika sempre teve contato direto com a música vinda do oriente médio – isso o influenciou profundamente. Não que ele seja uma caricatura da música libanesa e use soluções harmônicas corriqueiras utilizando as microtonalidades para dar aquele clima “árabe” em sua música essencialmente pop, mas seu triunfo está em conseguir fazer músicas simples e acessíveis – o elemento certo para uma música popular.

Sempre excêntrico e elétrico no palco, seu ritmo dançante contagia o público quando aplica sua principal característica vocal: tons mais altos e agudos (sua extensão vocal atingi cinco oitavas). Em 2007, aos 23 anos, lançou Life is a Cartoon Motion, recebido com euforia pelos fãs e pela crítica especializada. O primeiro disco, com uma grande tendência para se tornar polêmico, nos revela um Mika disposto a discutir temas considerados tabus sociais em contraste à um mesmo Mika vivendo na pele de um garoto de 11 anos alegre e feliz com o mundo que vive, explorando doces harmonias angelicais. Na primeira semana já alcançou as paradas de sucesso e rendeu ao cantor um lugar ao sol na música pop mundial.

Em Billy Brow conta a história do homem bem-casado que se apaixona por outro homem. Tais músicas assumidamente gays as vezes dá trabalho ao cantor que, optando por não declarar sua opção sexual, é constantemente pressionado (em entrevistas até) sobre se é gay ou não, afinal. Big Girls (You Are Beautiful) fala sobre as mulheres que sofrem discriminação muitas vezes pelo simples fato de entrarem no mercado de trabalho. Música inspirada em sua mãe, dizem. Mesmo assim o disco é dançante e alegre. Músicas grudendas, para ser mais exato. Grace Kelly, Lollipop, Love Today e Relax, Take it Easy são hits que caíram facilmente nas pistas de dança de todo o mundo. “O poder do Mika é inegável. Você gostando ou não, as melodias de suas exuberantes e coloridas canções pop grudam na sua cabeça”, gritou o jornal britânico The Independent.

Multicultural, Mika gosta de transitar por várias áreas da arte como o cinema, as artes plásticas, quadrinhos, ao mundo da moda e até os temas populares hollywoodianos. No final do ano passado lançou o segundo disco, The Boy Who Knew Too Much, numa clara referência ao filme The Man Who Knew Too Much (1934), do cineasta inglês Alfred Hitchcock. Na turnê promocional do disco, além de apresentações elogiadas no iTunes Festival 2009, The Roundhouse, em Camden, Londres e em Friday Night with Jonathan Ross, Mika promoveu uma festa surpresa em seu pub, em Londres, e anunciou o evento pelo Twitter. Gastou £ 25.000 em bebidas com todos os fãs que compareceram. Toda a festa era para comemorar o lançamento do disco.


Esse aí é Mahmoud Reda, dançarino Egípcio popular no Oriente Médio que possívelmente influenciou Mika


Carpatia

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